Narcisistas e os malefícios para a saúde -Depressão- parte 3



A depressão desencadeada por relacionamento com pessoa com transtorno de personalidade narcisista é muito mais complexa, porque além de vencer a doença, é preciso haver uma mudança radical de vida e que envolve neuroplasticidade. A mudança de comportamento faz com que haja uma adaptação a partir de novas experiências. Isso inclui desaprender alguns comportamentos que não fazem mais sentido dentro de um novo objetivo e aprender novas formas de enxergar a si mesmo aprimorando o autoconhecimento. Como lidar com sentimentos gerados por uma realidade falsa? O que foi vivido pode ser considerado um grande equívoco e o que parecia ser amor foi apenas uma mentira. A constatação disso torna fundamental a busca para encontrar o verdadeiro "eu". Faz-se necessário se desvincular dos rótulos impostos pelo abusador e entender que é um caminho sem volta. Caso isso não seja tratado com a devida importância, haverá grandes chances de envolvimento com outra pessoa portadora do transtorno de personalidade narcisista. A dependência afetiva cria uma baixa autoestima e a necessidade de constante aprovação do outro. Ao se deparar com uma nova realidade, primeiramente o que é novo vai trazer um pouco de desconforto e é preciso superar a vontade de voltar a repetir o que lhe é familiar. Lembrando que o "familiar" não significa que seja bom. É normal sentir medo diante do contato com aquilo que desconhecemos, mas assim é a busca pela verdade. As suas emoções e o seu estado de humor não podem ser colocados na mão de outra pessoa. A depressão é considerada um distúrbio de humor. Não adianta se ater somente aos aspectos fisiológicos e biológicos. Também devem ser consideradas as questões filosóficas e psicológicas. É fundamental verificar como foi desenvolvido o estado de depressão. Em que condições a pessoa estava vivendo quando foram notados os sintomas. O transtorno bipolar (antigamente chamado maníaco depressivo) remete a uma ideia de que a pessoa possui uma mania de depressão, como se a pessoa gostasse de ficar nesse estado e o fizesse propositalmente. Isso não é verdade. Quando a pessoa é diagnosticada com qualquer transtorno de humor, ela está sofrendo muito. Lembrar sempre do que foi aprendido em qualquer situação difícil é uma forma de não desistir. Conhecimentos rasos não tem o poder de provocar mudanças fundamentais e felizmente, no experimentar de grandes mudanças, são abertos novos caminhos até então nunca imaginados. É um processo. E importante não se vitimizar porque quando assumimos o comportamento de vítima, imediatamente nos remetemos à uma certa isenção de responsabilidade. Seria uma situação confortável, porém uma forma de se afundar mais ainda, porque sem desafio não há crescimento. Não se sinta culpado por buscar conhecimento sobre o assunto e não compartilhar com ninguém. Essa atitude é correta. É necessário tentar entender o funcionamento da mente de um "narcisista" para programar uma forma de sair da teia. Para colocar um fim em um relacionamento abusivo é preciso muito planejamento e sentir-se seguro para que a tomada da decisão de rompimento seja sem volta. É um caminho novo, um "nascer de novo". Peça ajuda, procure profissionais preparados para reorganizar a sua vida. Por muito tempo a "sua agenda" foi a agenda do outro. Surge um vazio que deve ser preenchido com conteúdo e escolhas próprias e muitas vezes não se consegue fazer isso sozinho porque o sistema caótico de emoções num relacionamento com narcisista afeta o funcionamento da mente. Todo recém nascido sem ajuda não sobrevive.



texto baseado no vídeo de 15 de agosto de 2021 no canal Psicanálise & Eu no Youtube

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