Narcisistas nas religiões - Como se proteger dos abusadores espirituais


Nenhuma área está livre de pessoas com o transtorno de personalidade narcisista.

Ao pensar num ambiente religioso, imagina-se que isso não deveria acontecer, porém, na realidade é o contrário do que imaginamos. Infelizmente essa atmosfera é favorável para a infiltração de pessoas com transtorno de personalidade narcisista e uma das razões é porque a identidade das pessoas fica um pouco acobertada. A simbologia que opera nas religiões transcende, isto é, é maior do que a individualidade. Muitas pessoas podem não acreditar mas mesmo assim respeitam as religiões pelo simbolismo que representam. Trata-se de um fenômeno na nossa formação psíquica, devido ao aprendizado desde a infância, sobre tudo que envolve a vida religiosa e crenças.

Quando as pessoas se tornam vulneráveis, principalmente as que sofreram alguma forma de abuso na infância, consequentemente elas se tornam "presas".

Algumas linhas de investigação da psicologia não se referem a essas pessoas abusadoras (principalmente abusadores sexuais) como "psicopatas" ou "narcisistas", preferindo nomeá-los "predadores".

E os predadores andam em busca de presas.

A doença, a carência emocional, a resolução de problemas financeiros, são alguns dos motivos que fazem com que as pessoas busquem a religião como amparo. Também estão nessa busca pessoas machucadas emocionalmente, com objetivo de serem curadas de sentimentos de culpa e tornarem-se acima de tudo, pessoas melhores. Entre esses, também incluem-se os codependentes (aqueles que tem um comportamento aprendido e desenvolvido na infância - narcisistas que sabem de seus comportamentos indevidos, porém, estão do lado do bem e querem melhorar a si mesmos). Lembrando aqui que o relacionamento entre nascisista e codependente é o chamado de "casamento perfeito".

A posição de evidência que um líder religioso ocupa, detém a atenção e destaca um brilho que os narcisistas buscam. Eles tem facilidade de demonstrar sensibilidade e, se estão em um meio evangélico "são ungidos" ou se estão no espiritismo "são médiuns" e portanto, numa posição de controle. Nem todos os predadores são abusadores sexuais, mas são sobretudo amantes do poder.


O conhecimento como aliado


É preciso muito cuidado para que o conhecimento que é de responsabilidade individual não seja substituído pelo que o líder simboliza.

Se não houver conhecimento do que está sendo falado no local de reunião, a pessoa poderá envolver-se com o líder carismático, ou guru, ou pastor, ou padre a ponto de tornar-se totalmente vulnerável. É na entrega total, na confiança de que o líder é a pessoa que representa uma espiritualidade que está acima dos outros que o engano acontecerá.

Para ficar mais claro, por exemplo: se você está em um culto e não conhece a Bíblia, não leu o livro sagrado, tudo o que o pastor falar, não há como ser confrontado e será aceito. Você acreditará que como ele já leu (nem sempre), não é preciso que você o faça. Podem ocorrer abusos financeiros, sexuais e emocionais nessa atmosfera de falso acolhimento.

É muito comum sentir-se seguro na massa, uma mentalidade de rebanho mesmo, e perde-se um pouco o senso crítico e coragem para questionar a autoridade. Ou seja, um pouco de medo. Frases como: "Como você ousa questionar a minha autoridade?" - pode deixar qualquer um desconfortável.


Não existem duas verdades contradizentes


O ideal é não deixar que alguém decida por você. Examine por si mesmo.


Dentro das instituições, as pessoas ficam presas na dissonância cognitiva por causa do afeto. A falsa religião manipula pelo medo. Mas, não se enganem - não existem duas verdades contradizentes.


Normalmente as denúncias são desencadeadas a partir de um relato e aí vão surgindo as demais histórias. Outros vão criando coragem, vencendo a vergonha de terem se submetido a abusos e ajudam a trazer à tona a verdade que muitas vezes estava escondida há anos sobre determinado líder religioso.


Num ambiente propício para abusos, primeiramente a pessoa é bombardeada de amor. Pode ter novas conquistas na vida pessoal e depois associar isso ao líder, podendo viver preso pelo medo de perder o que foi conquistado. Sem que perceba, já está totalmente envolvido e quando descobre a verdade mergulha num enorme vazio e vergonha.

Mas lembre-se de que a verdade e a liberdade andam juntas.


(parte 1)



texto baseado no vídeo de 06 de junho de 2021 com Getúlio Tamid e Josimar Fonseca

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