Narcisistas nas religiões - O magnetismo do fanatismo


Poder e domínio é o que buscam implacavelmente os líderes religiosos portadores do transtorno de personalidade narcisista, que fazem de tudo para serem reconhecidos e obter validação. São pessoas oriundas de famílias disfuncionais e quando perdem o controle são capazes de envolver os fiéis a toda e qualquer situação para manter a sua ideia revolucionária.

Eles tornam-se espelhos, capazes de refletir o que a sua carência busca para se completar.


O líder carismático personifica a perfeição


Quando uma instituição se torna sagrada por meio do símbolo, do livro, da doutrina e não tem uma pessoa específica à frente, nós temos a tendência de considerarmos que isso pode ser mais seguro, pelo fato de que se trata de algo que não está à mercê de uma única pessoa como líder. Nesse caso, perde-se portanto a pessoalidade, o corpo doutrinário de uma religião fica impessoal, preservando-se "o mistério", bem difundido em sua base. As pessoas ficam seguras nos rituais.

Por outro lado, quando há um líder carismático, em qualquer instituição que seja, a situação pessoal fica em evidência. Há uma identificação com o ser humano e um reconhecimento de que esse líder é uma pessoa "iluminada" e se importa com você, e vem a calhar com o que uma pessoa vulnerável está procurando. Se trata da oferta perfeita ao que está se buscando. Há um toque de "amor" e sua carência faz com que o seguidor estabeleça um forte laço e fique sujeito aos abusos que possam vir a acontecer.

O fanatismo leva a irracionalidade, próximo ao delírio, onde a convicção sobre uma determinada pessoa se torna enganosa.


Codependentes são regenerados


As pessoas que se desenvolvem em famílias disfuncionais, narcisistas, têm a possibilidade de tornar-se "narcisistas" ou "codependentes". Lembrando que o codependente é aquele que tem mais chance de se encontrar, de se validar e sair dessa situação, Podemos chamá-lo de "regenerado", porque apesar de ter a propensão de cometer as mesmas perversidades e maldades, este caiu em si, tem consciência quando faz um "mal" a alguém e sente muito por isso. Diferentemente do narcisista que sente remorso e raiva de si mesmo, quando não consegue algo que estava planejando. É o narcisista que se justifica, dizendo que perdeu o controle de determinada situação longe de qualquer intenção de reparação e afirma arrependimento, apontando somente para a punição que recebeu e nunca sobre o efeito da maldade que fez às vítimas ou às suas famílias. Nem é preciso dizer que o psicopata não sente nada.

Somos capazes de suportar a verdade quando descobrimos por nós mesmos


Quando buscamos a verdade, devemos selecionar muito bem os materiais que estão disponíveis para nossa análise. Basear-se em referências descontextualizadas só fazem diminuir o impacto na história e contribui para o engano. As fontes de informação escolhidas devem ser seguras e coerentes com a verdade.


A cola e magnetismo são os mesmos em todos os relacionamentos narcísicos. Seja amoroso, na família ou na religião, o que está envolvido não consegue se "soltar" com facilidade.

A prudência consiste em identificar com toda a certeza de que se está em um relacionamento abusivo. Os abusadores tem potencial para realizarem o pior para suas vítimas. Essas vítimas não imaginam o pior, mas podemos constatar nas histórias dos sobreviventes que, casos de violência sempre acontecem e os abandonos se dão nas piores horas. Se você estiver atrapalhando os planos do narcisista, não há dúvidas de que o prejudicado será você. Ao identificar que você está se sentindo inseguro, incerto, nunca descansa, não pode ser você mesmo e observa um comportamento agressivo passivo no outro, mentiras e manipulações fazem parte do seu dia a dia, prepare-se para entrar em contato zero - que é a solução eficaz. Imagine que vai fazer uma grande viagem e se prepare para isso. Nessa viagem, saiba que a ponte deverá ser queimada, para que você não possa voltar. Leve o tempo que for necessário para tomar essa decisão.

Esteja preparado para fazer essa viagem sem volta. Não pense em como a pessoa vai se sentir, porque ela não vai sentir "nada", a não ser raiva. Caso você vá atrás dela, vai cair de novo na cola e magnetismo poderoso deles. O autoconhecimento é fundamental.

Como em qualquer abandono de vício, tudo o que traga risco de contato deve ser lançado longe de seus olhos.

A descoberta de que todo o amor do relacionamento era só seu e que houve invalidação da sua personalidade vai ser muito triste, mas o "sangue suga emocional" será enfim retirado da sua vida.

Lembrando que emoções tóxicas que foram implantadas em você só saem no choro. Muito choro misturado com tristeza, por não ter vivido o que deveria viver e muita raiva, por ter vivido o que lhe foi projetado, e não a sua própria escolha.


É triste descobrir que eles não sentem nada, mas ao mesmo tempo é libertador.


(parte 2)



texto baseado no vídeo de 13 de junho de 2021 com Getúlio Tamid e Josimar Fonseca


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