O complexo de Édipo e o Transtorno da Personalidade Narcisista

Atualizado: 30 de nov. de 2021


O complexo de Édipo é uma teoria elaborada pelo médico e criador da psicanálise, Sigmund Freud com bases em uma tragédia escrita por um dramaturgo grego chamado Sófocles (496-406 a.C) que descreve o conflito familiar que envolve a morte de um pai cometido pelo próprio filho e a relação incestuosa entre uma mãe e seu filho.


Este peça ainda continua, até hoje a ser encenada e foi utilizada por Freud para descrever os processos pelo qual todos os seres humanos passam em sua infância até atingir uma certa idade.


Os livros e as histórias que os seres humanos contam muito podem nos ensinar ao nosso respeito. Muitas teorias, inclusive científicas tiveram início na exploração baseada em obras literárias clássicas dentre os quais podemos citar os filósofos Gregos e os grandes autores de romances da era clássica e contemporânea. O próprio Freud, era grande fã do poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe, que passeou pelos campos da ciência natural além da poesia, dos contos e das peças de teatro.


Até mesmo a dramaturgia em forma de tele novela retratou o drama através de uma adaptação famosa tendo Vera Fischer como Jocasta no papel de mãe e Felipe Camargo, no papel de Édipo. O mais interessante é que esse trabalho acabou rendendo um relacionamento de verdade no qual acabou dando a eles um rebento entre o casal que acabou se separando em 1995.


O mais interessante em relação ao caso relacionado acima é que os dois atores se apaixonaram por conta do trabalho porém toda aquela paixão avassaladora diante das telas acabou virando um pesadelo na vida real, marcada por bate boca, desrespeito e até mesmo agressão física além de acarretar idas e vindas no tribunal por conta da guarda do filho.


O complexo de Édipo é basicamente o cerne das questões mais intrínsecas no que se diz respeito às psico-neuroses, pulsões, fobias, compulsões etc. Podemos dizer que basicamente que a Psicanálise não teria existido sem o complexo de Édipo.


Freud elaborou a teoria tendo como base a relação da função materna e a criança onde, ao atingir uma certa idade, se torna inimigo do cuidador na função paterna querendo assim, aniquila-lo de qualquer maneira tendo então a total atenção, carinho e dedicação por parte da pessoa representando a função materna. Tudo isso acontece, de acordo com a teoria da sexualidade infantil, na fase fálica da criança.


Esta fase é de extrema importância para a criança pois ela inicia o processo de descoberta de seu órgão reprodutor no qual faz com que a criança desenvolva o seu potencial mais egoísta e narcisista. Esta fase é inconsciente e todo ser humano passa por ela.


As restrições tanto da função materna quanto da paterna imposta à criança limitando o seu prazer resulta no surgimento daquilo que Freud vai chamar de Super ego no qual prepara o ser humano para a vida em sociedade. A maneira pelo qual a criança vai lidar com a angústia causada pela não satisfação do prazer vai determinar sua capacidade de entender as limitações e regras impostas pela sociedade e sua cultura.


É muito comum nessa fase, que as crianças comecem a manipular seus órgãos sexuais e a compará-los uns aos outros pois é nesta fase que se descobre a sua própria sexualidade. Porém, pais desavisados e com um forte senso de moralismo arraigados a princípios radicais de regras castradoras tendem a inibir esta descoberta gerando assim uma espécie de recalque no qual anos mais tarde pode se transformar em traumas e neuroses.


Pessoas que evoluíram no transtorno da personalidade narcisista principalmente tendo tido um genitor castrador têm sido os piores casos simplesmente porque, além de terem sido psicologicamente mutilados em sua sexualidade, desenvolveram uma percepção errônea de si mesmos e acabam procurando validação da sua sexualidade através de um ideal de parceiro que se parecem, principalmente com alguém representando a figura da função materna. Infelizmente nem todas as pessoas são criadas por cuidadores que encaram essa fase como algo natural onde muitos deles sucumbem na missão de acolher com naturalidade as transformações psíquicas e físicas da criança.


Por sofrerem punições e castigos nesta fase por conta da descoberta da sexualidade, eles acabam tendo uma relação de amor e ódio para com seus parceiros na fase adulta. Isso acontece porque a busca da validação se funde com o vazio existencial da invalidação da sexualidade da criança interior.


Por esta razão é aconselhável que antes de embarcar em um relacionamento afetivo, se preste muita atenção no relacionamento do seu parceiro para com seus genitores ou cuidadores pois isto pode revelar muita coisa a respeito deles.


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