Transtorno do estresse pós traumático (TEPT)

TRANSTORNO DO ESTRESSE PÓS TRAUMÁTICO (TEPT)


Décadas atrás, antes que as neurociências destrinchassem a anatomia da memória de curto prazo e acontece a consolidação da memória de longa duração, a amídala cerebral cumpria a função, junto com o hipocampo, de fazer o registro emocional dos eventos que perfazem a experiência cotidiana do cérebro.


Hoje se sabe que na primeira infância, o hipocampo não está formado, diferentemente da amídala, que já nessa fase, faz o registro emocional dos eventos que nos cercam, sem qualquer filtro cognitivo. Lembrando de que não se deve confundir as amídalas cerebrais com as tonsilas, que ficam na região da garganta.


Por causa disso, muitos registros emocionais originados no início da vida, não correspondem à experiência intrínseca da própria criança e sim à resposta cerebral baseada em emoções de comportamentos alheios, uma espécie de mimetismo do ambiente e que se mascara na forma de experiência pessoal.


Apesar disso, a experiência alheia, dos pais ou cuidadores, deve servir de molde para que o cérebro aprenda a registrar suas próprias emoções quando o hipocampo estiver amadurecido.


A maravilhosa engenharia por trás desse mecanismo de aprendizado não nos capacitou com a blindagem necessária para evitar os eventos traumáticos.


Com isso, tanto a experiência prazerosa, como a experiência traumática, ambas têm lugar reservado nas regiões corticais que precedem a iminência do prazer ou da dor causada pelo trauma.


Por meio de mecanismos sensoriais (os neurônios aferentes e eferentes), em um passe de mágica, o cérebro vasculha o registro da memória emocional e prepara o corpo para o impacto do que está por vir, quer seja bom ou mau.


Muitos pensam ser essa a forma mais severa de estresse pós traumático, o chamado estresse pós traumático complexo.


Complexo porque a amídala, que fez o registro da emoção que originou o trauma, não necessita de uma memória pontual, como uma imagem por exemplo, ou uma representação mais clara do evento traumático.


No estresse pós traumático complexo, a pessoa necessita apenas de um pequeno estímulo para que se acione um processo de defesa, algo que leva o nome de “gatilho emocional”.


Pode ser uma brisa, uma voz ou uma palavra descontextualizada. Pode ser uma imagem ou até mesmo um momento do dia, como o anoitecer ou o romper da manhã.


O cérebro aprendeu a se proteger do momento traumático por meio da amídala. Ao ser estimulado pelo gatilho emocional, todo o cérebro entende de forma generalizada que o momento é de salvar a própria pele. E sendo assim, tudo o que o indivíduo recebe nesse momento de sequestro de amídala é uma alta descarga de neurotransmissores, para que possa lutar, fugir ou ficar paralisado.


Como dito anteriormente, no estresse pós traumático complexo, a pessoa pode estar tranquila, sentada em frente à tevê, assistindo seu programa favorito e subitamente ser acometida de um desespero irracional, baseado em emoções que estão profundamente enraizadas, mas que foram estimuladas por uma simples buzina de carro, ou pelo ranger de uma porta.


A grande esperança que podemos ter com o conhecimento desse mecanismo de defesa é que, diferentemente de outros transtornos de ansiedade, no estresse pós traumático existem recursos que podem nos ajudar a sair desses estados catastróficos. E melhor ainda, podemos ensinar nossos corpos a não se subjugarem ao sequestro de amídala, tornando a conexão entre corpo e mente o principal elemento para a melhora dessa condição.


Próxima postagem: Como se libertar do TEPT

Assista a entrevista exclusiva sobre este assunto




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