As Filhas da Serpente

Uma história muito famosa sobre a relação baseada em manipulação encontra-se no primeiro livro da Bíblia, chamado Gênesis, no qual em seu nome na língua original, isto é, em Hebraico, significa "No princípio" ( בראשית / Bereshit ) onde há um diálogo da serpente com a primeira mulher na humanidade. Este diálogo, muitas vezes representado de uma maneira infantil, traz na verdade, informações fantásticas a respeito da natureza humana bem como dos seus relacionamentos.


Sendo ou não uma fábula, há muito de se aprender sobre a narrativa que conta como vivia o primeiro homem e a primeira mulher na face da terra

Eles viviam no paraíso e estavam nus e não sentiam vergonha da sua nudez. Tudo era absolutamente pacifico e tranquilo. Também não havia necessidade de trabalhar e quando digo isso, não penso que eles eram uns desocupados da vida pois se você pesquisar a etimologia da palavra trabalho, vai perceber que ele tem relação com a escravidão e por isso podemos pensar que havia muito o que se fazer numa terra onde não havia a interferência da ganância do ser humano.


Porém, parafraseando o poeta, no meio do jardim havia uma serpente. Havia uma serpente no meio do jardim.


Para quem conhece o relato, sabe que o papo furado da serpente não foi convencer a mulher da sua capacidade mental de saber o que era certo ou que era errado mesmo porque em seu estado de inocência ela não sabia o que era errado. Sendo assim, de um ponto de vista da própria narrativa, podemos entender que a Eva era como uma criança.


Garanto que se você tentar se lembrar um pouquinho da sua infância, vai provavelmente, recordar de quão inocente você era e quanta bobagem você falou e fez pois afinal, a criança não é dotada de juízo. Para quem não se lembra do termo, é a capacidade de julgar entre o que é correto e o que é incorreto.


A serpente propõe à mulher que não haveria nenhum problema se ela tocasse e provasse do fruto que não era ainda a hora para ela experimentar. Ela a convence que o Criador estava escondendo os fatos e que se ela o provasse, ela seria tão inteligente ou esperta quanto o criador.


O resto da história é que ela não somente come do fruto proibido mas dá ao seu marido para que este também o coma, acarretando assim uma perda do estado de inocência e pior ainda, conhecendo antes da hora, a diferença entre o bem e o mal.


Quando eu me refiro à antes da hora, não é porque estou afirmando ou empurrando minha crença goela abaixo de ninguém mesmo porque muitos estudiosos e até mesmo Sigmund Freud usou da mitologia Grega para fazer analogias aos seus estudos sobre a psicanálise. Nem tampouco estou afirmando ser uma fábula, o relato da Bíblia. Você pode acreditar em que você quiser. Uma coisa porém, é fato. Sendo fábula ou não, ela nos ensina verdades sobre a natureza humana.


Nenhuma criança está pronta para, da noite para o dia, encarar a dura realidade dos adultos, isto é, toda a maldade do mundo é demais para o cérebro de uma criança. Quando isso acontece, há uma morte da criança interior no qual a separa da pureza e da inocência mas quando isso acontece não é somente a perda da inocência que fica corrompida. A percepção de mundo também !


Conheci uma moça que hoje está em seus 20 e poucos anos, que quando criança foi molestada por seu pai, Vou chama-la aqui de Juliana.

O pai de Juliana gostava de tomar banho com a filha quando pequena onde ao se lavar, se tocava na frente da filha nua e lhe fazia perguntas sobre a anatomia de um jeito estranho mesmo porque segundo ela, seu pênis estava sempre ereto ao fazê-lo, obviamente. Sendo assim, vemos aqui um quadro de pedofilia mesmo que esse pai nunca tivesse penetrado sua filha.


Não é a toa que Juliana, cresceu e desenvolveu vários problemas mentais tais como fobias, crises de ansiedade, síndrome do pânico e ataque epiléptico.

Porém o mais impressionante foi o fato que demorou muito para que Juliana entendesse que todas estas sequelas foram causadas por seu pai que por muitos anos tentava convencê-la de que era totalmente normal! Seria normal o pai sair com uma filha de 18 anos para jantar em um restaurante e dizer a ela que se fosse solteiro ou mais novo e não fosse seu pai, ele a "pegaria"? Sejamos justos, é assédio!


Da mesma maneira, mães manipuladoras, expõem suas filhas à uma realidade nua e crua antes da hora na fase da infância, deturpando e deformando a personalidade da filha. Há de fato diferentes fobias ou outros tipos de traumas relacionadas aos períodos em que o abuso emocional começou por parte da mãe narcisista.


Por exemplo; Se uma criança começa a sofrer o abuso físico ou emocional no período anal, que se dá a partir do segundo ao terceiro ano de vida, esta, pode vir a ter sérios problemas com controle, de se guardar ou se entregar. A fixação nesta fase pode simplesmente gerar uma dificuldade no desenvolvimento da personalidade onde a filha vai se relacionar com a mãe baseado na condição do cumprimento das exigências da mãe no tocante aos processos de eliminação e limpeza.


As filhas da serpente carregam dentro de si o veneno de suas mães no qual negativam a sua existência e personalidade através do desprezo disfarçado de proteção. Na verdade a super proteção serve como uma ferramenta pra prender a Rapunzel no interior do castelo.


O único conselho, se é que possa dar algum, é: Fuja! Livre-se o mais rápido possível das garras da sua mãe! Deixe a serpente experimentar seu próprio veneno.


Gostou desse artigo? Que tal assistir um vídeo falando um pouquinho mais sobre esse assunto?

Imagem de SilviaP_Design



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