Eu narcisista?



Quando somos crianças e fazemos algo considerado malvado para alguém, nos falam (ou deveriam falar): Você gostaria que fizessem isso com você? E por que foi que você fez então?


Desde cedo nos tentam ensinar valores, a ter empatia com o outro, a ser bom. Isso nos leva a refletir: Nascemos com alguma pré-disposição ao mal ou a sociedade que nos corrompe?


Quando eu era criança me lembro de desobedecer, ser rebelde às vezes só porque achava engraçado. Ninguém me dizia pra fazer isso. Era tudo ideia minha. Naturalmente, crescemos e para nos adaptarmos, mudamos, nos adequamos para sermos aceitos. Mas e aquela essência primitiva? O que você faz quando ninguém te vê fazendo? Esse é você.


Esse texto não é sobre redenção a uma pessoa com Transtorno de Personalidade Narcisista, mas uma análise sua (a respeito de si) que foi em dado momento oprimido e por ventura se tornado também (parcial talvez) o opressor.


Embora a sociedade tenha na palma da mão a buscadores conectados para "esclarecer" ou "confirmar" qualquer tipo de achismo, normalmente apontamos o dedo para o outro. Parece automático! De fato é difícil admitir que também podemos fazer parte do caos que nos fez mal. Reitero que não é uma questão de se culpabilizar, mas de ser justo. O que se prega na sociedade atual a respeito do ser? Você já ouviu uma frase como: "Se eu não me achar, quem vai?" Não soa como uma camuflagem para (auto) afirmação de alguém fragilizado?


Criamos muitos escudos utilizados (conscientes ou não) para nos protegermos. Imagine uma situação delicada, a qual você fez algo que se envergonhe. E ao fim das contas não sabe nem explicar ao certo porque fez e olhando agora de longe parece inacreditável que foi você o algoz de tamanha besteira. Visualizou a cena? O que normalmente fazemos nessa situação? Mentimos pra nós mesmos, entramos em negação e até nos forçamos a acreditar naquilo que precisamos para suportar o tamanho da burrada que fizemos. E como saímos do imbróglio? Saindo da linha da sua versão fantasiosa, permeando pela verdade do outro (que também tem a fantasia dele) e por fim chegando a uma verdade imparcial, o relato fiel dos fatos. Porque ambos os lados sabem a versão sem edição. Lembre-se que existe a sua verdade, a do outro e a verdadeiramente real, sem flores ou adornos.


Por fim, para você entender que há vida depois que seu Sol se põe, conhece primeiro a ti mesmo. Muitas vezes (ou quase sempre?) julgamos o outro por aquilo que somos capazes de fazer. O papel de vítima não é o mais fácil, apenas o aceitável ao seu Superego.


Ser o vilão e buscar mudança é difícil, para poucos, para os fortes e aos que buscam de fato o mínimo de reparo para com os que o cercam.

Esse  artigo é uma contribuição de Bruna Rosa de Souza, Publicitária, licenciada em artes visuais e Psicanalista





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